20141031

São Paulo e ele

Os passos inquietos e decididos que percorrem o centro de São Paulo são a cara dele. Não existe amor em SP? Não existe mesmo pros meus passos provincianos. Cheguei a essa conclusão. Todos os dias quando desperto, ainda com sorriso no rosto, de sonhos com ele, chego a essa conclusão. Não me amou. Em breve fará um ano que os meus pés não andam mais ao lado dos dele, entretanto, farão dois que ele  não sai da minha memória. Ele é tão nocivo quanto uma linha branca de pó. Jamais escutarei Zé Ramalho novamente sem me lembrar que no Vale do Anhangabaú ele me negou uma dança enquanto Zé estava se apresentando. O mesmo vale pra Alceu Valença, já que o vimos jantar em um restaurante no final da Augusta. A Consolação viu ele me negar um beijo quando a partir daquele momento passaríamos meses sem nos ver. Na Avenida São João, meu coração doía quando ele se referia a mim como amiga. Nessa minha breve estadia na cidade que não dorme, eu o convidei para fazer amor. Ele, sem hesitar, aceitou por duas vezes fazer o que melhor tínhamos em comum: sexo. Sexo selvagem, longo, sanguinolento e que tinha uma intimidade tão restrita a nós. Ao abrir a janela do hotel de manhã, pude ver uma ponte que abrigava moradores de rua. Na sacada da janela, vi inúmeros pinos de cocaína vazios e piolas de cigarro. Na cama, o vi dormindo. Derramei uma lágrima e lhe escrevi uma mensagem para seu celular. A noite para ele tinha sido de diversão. Para mim, de entrega. E assim ele se tornara São Paulo. E eu uma garota provinciana apaixonada que percebia que astrologia só fez sentido no nosso primeiro encontro,  quando ele me dizia que nós piscianos estamos na nossa última passagem pelo planeta. Hoje não tenho mais notícias dele. Não sei se ele pensa em mim. Sei apenas que ele está  feliz. Quanto a mim, caio em tristeza em qualquer menção a São Paulo.

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