20140513

Escrava

estou morta. cometo suicídio diário
grades de ferro imaginárias bloqueiam
inibem minha conexão com a vida
sem teto sem chão sem mãos, sem
sem nada onde eu possa aterrizar
presa no ar, no terror, no conflito
me aprisiono, me marco a ferro
brasa invisível tangível me abre
me deixa escaras que não fecham
trabalho em função da solidão
porque as ruas só têm ratos
bichos peçonhentos magoados
revoltosos por mesquinharias
sempre querendo o maior pedaço
quando a vida deveria dispor tudo
a todos, mas só regala a porcos
a morte me surge como alento
com a vida só aprendi desprezo
cometo suicídio diário. estou morta

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