20140320

amargo

cadê? cadê você
sorrindo pra mim,
sem tempo ruim?
foi embora sem me ler,
sem nem dar porquê.

escrevo esse clichê
porque lembro de nós
com saudade feroz.
tua voz, cadê, cadê?...
me dói mais que isso, vê...!

amar sem ser amado...
(sina do poeta triste)
o amor que obstruíste,
meu amor agoniado,
não há gosto mais amargo.

20140313

ithasnotitle

não tem nome, não há título
o vazio onde sigo abraçada
com o nada, com a solidão
com o solilóquio constante
de falar pra mim, pro nada
não tem título minhas rezas
meus escritos ao vento
minhas crises aos berros
sangrentos, mas em silêncio.
visto uma capa com título
título histérico, risonho
mas tão infeliz é esta capa
pois engana a mim, a outrém.
resido em um oceano sem título
profundo, cheio de mágoa
de tchaus, de adeuses, de fins
não há título para as dores
hepáticas, antipáticas
que chegam a ser apáticas
esta vida, esta grande festa
para mim só reserva ressacas
no nublado do silêncio
silêncio histérico, que rasga
dilacera minha garganta
que explode em grandes mágoas
tudo isso que sinto, de amores
a desamores, me desarmam.
sinto a vida rir de mim
numa cólera enlanguescida,
enlouquecida, endiabrada,
a mim resta uma apatia indefinida
sem título, sem nome, só dúvida
isso tudo, esses punhais da vida
que me abatem todo o tempo
isso não tem título.

20140312

Travessia

Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho prá falar

Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu canto, vou querer me matar

Vou seguindo pela vida me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver
Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver

Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu canto, vou querer me matar

(Milton Nascimento)

20140305

vai embora

minha pele não hesita em me falar
não se esquece de me lembrar
a ausência da tua cólera que excita
que me enchia minhas faltas.
teu escárnio a meu respeito
desde minha vida até os seios
este feito ninguém amou mais
que eu e minhas lágrimas.

então eu grito: vai embora!
encontraste teu caminho
com outra pele que não a minha
então deixa o meu coração sozinho...
vai embora, vai embora!
grito isto em boa hora, vai!
sai da minha pele, dos meus seios
das minhas lágrimas... vai...

sem mais demora, vai embora...

20140302


masoquista

sou viva quando me negam
gosto de pancadas no ego
quero que me batam na cara
que me realizem negativamente
sou viva quando apanho
quando apanho migalhas
do chão onde me pisam
cabeça baixa sim senhor
mais maus tratos por favor

sou viva quando me amam.