20140127

escondida

ando escondida. me deletando. andando à espreita, à margem. me privando. "fico parado, calado, quieto, não corro, não choro, não converso". é fácil dar tchaus ao invés de ois. se ausentar. não, não tô a fim. fica pra próxima! a gente combina. tô de boa. melhor não. tudo isso é muito fácil. estou ótima. mas a única pessoa de quem não posso me esconder é de mim mesma. e isso dói. amarga na boca, dói o fígado, doem os músculos, dói a alma. tudo dói. tento esconder minha feição no espelho, mas é um desastre. 7 anos de azar. nem nas breves horas de sono me escondo. eu sou o meu próprio pesadelo e apareço. acordo assustada e vejo que não me escondo coisa nenhuma. mas, ainda assim, vou me mantendo. ando escondida.

não sei

não sei mais a quem confiar o que eu sinto, não confio em ninguém, também não sei o que esperar de mim. interrompi a utilização de sertralina, de café e de demais substâncias e sensações que façam meu coração bater mais rápido. meu melhor amigo tem sido o cigarro, que por 8 minutos me faz esquecer de mim. eu odeio essa auto-vitimização, eu odeio. eu não sei mais o que sentir. sinto sede, pânico, vontade de recomeçar. queria ser outra pessoa, ter nascido sob outra pele. não sei se isso seria melhor, mas não sei mais onde vomitar essa angústia sufocante. dormir não é bom, tenho sonhos horríveis. estou cansada de ver como as pessoas tratam as outras ao redor do planeta. existem códigos de ética que são implantados na cabeça de toda gente e ninguém respeita isso. isso só me traz dor, uma dor que eu não sei de onde vem, mas que é bem real, me sufoca e me deixa com a garganta e o peito doloridos. enquanto escuto punk rock, que é a única música que me desperta liberdade, escrevo, sinto, agonizo e quero quebrar tudo ao meu redor e dentro de mim. pra que porra estou aqui? eu queria ser um gato. ser natureza e viver natureza. essa merda de razão só serve pra abrir questionamentos, sofrimentos. qual é a utilidade vital disso? eu definitivamente não sou uma conformista, eu quero deixar de engolir a minha razão. babacas estão por todos os lados, e eu só sou mais uma. uma babaca derrotista, o que é pior. cansei de querer achar o ridículo da vida pra atenuá-la. a vida humana é uma merda ridícula, nojenta e sem sentido. eu cansei de ser inútil, um bicho se arrastando através das conveniências e convivências, implorando por um segundo de atenção pra tornar tudo o que eu sinto menos miserável. pra viver com sanidade eu teria que parar de pensar. só rir, me divertir, voltar a ridicularizar a vida com regozijo. estudar, trabalhar e participar perfeitamente dessa máquina perfeita que a sociedade montou. e ai de quem emperrar a engrenagem. foda-se toda essa mesquinharia toda. "tudo é vaidade nesse mundo vão", maior verdade sobre a vida já dita na poesia. espanca. esse mundo de vaidades é uma merda, um fracasso da humanidade. parabéns, bicho homem, você é um fracassado disseminador de ódios de todas as espécies. eu não sei de mais nada. só sei que não quero mais estar aqui.