20130429

left lonely

20130426

a força dos meus teares

you're a mistery sky, você é o vazio em mim

Doença

Partes sem pra trás olhar
Partes de mim desmancham
Deitas num rumo sem rumo
Deitas-me vontade de extirpar...

Extirpar de mim essa doença
A quem debilmente chamamos
De amor... Doença sem fluxo,
Sem destino, não contamino
Me impregno, aspiro, me vicio
Deito em meus dedos lápis
E cigarros... O escapismo de quem
Não é alegre, e nem triste.
O peso frugal e tenaz de quem
É constantemente doente.

amo-te doze vezes

Te amo com cheiro de chuva
Te amo com gosto de cerveja
Te amo com cheiro de gozo
Te amo com rastro de trilha
Te amo com o amanhecer
Te amo com vontade de cheiro
Te amo com carinho de apelido
Te amo com sede à noite
Te amo com vício de fumo
Te amo com vãos desejos
Te amo com frio sob lençóis
Te amo com gosto de nunca mais.

20130423

Opus 17

something to hold close


Fumo


Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas…
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram… choram…
Há crisântemos roxos que descoram…
Há murmúrios dolentes de segredos…

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!…

(Florbela Espanca)

20130420

A tuz voz de primavera

Manto de seda azul, o céu reflete 
Quanta alegria na minha alma vai! 
Tenho os meus lábios úmidos: tomai 
A flor e o mel que a vida nos promete!

Sinfonia de luz meu corpo não repete 
O ritmo e a cor dum mesmo desejo… olhai! 
Iguala o sol que sempre às ondas cai, 
Sem que a visão dos poentes se complete!

Meus pequeninos seios cor-de-rosa, 
Se os roça ou prende a tua mão nervosa, 
Têm a firmeza elástica dos gamos…

Para os teus beijos, sensual, flori! 
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos, 
Só me exalto e sou linda para ti!

(Florbela Espanca)

20130418

you say goodbye and i say hello

Open up your tender soul

Linhas da vida




Cartas, linhas da vida
Mostram-nos rotas
Velhas ou novas
São guias de partida.

Essa vida, tão cigana,
Te afastou de mim
Não sabia que seria tão ruim
Tão injusta esta vida p'ra quem ama!

Os caminhos dessas mãos
Te deram escolhas amplas
Mas nossas vidas, ambas,
Têm momentos tão vãos...

Pergunto a mim de ti
Queria escolher o andar que tu escolhe
Mas isto é decisão de quem só sofre
Hora de perguntar-me de mim.

20130417

eu nunca te farei mal

20130416

gosto de morte


hoje acordei com gosto de morte.
acordei com ânsia de matar em mim
tudo o que me destrilha da sorte
tudo o que me põe em angústia sem fim.

hoje acordei com gosto de morte.
acordei com ímpeto de destruir
tudo o que me destateia e aborte
tudo o que me impede de sorrir.

hoje acordei com gosto de morte,
acordei indefinidamente morrendo,
acordei rejeitando tudo que me conforte,
acordei querendo o que me arrependo.


20130413

Mistreated

20130411

isso já sou

to forgive


20130410

o que não deveria dizer (ou sentir)


20130406

eu não deveria vir te dizer essas coisas dadas as atuais circunstâncias, mas se Deus me deu voz foi pra cantar, ainda que seja um canto triste. contigo aprendi a amar na adversidade. aprendi a amar o diferente, aprendi a amar os pequenos momentos de alegria e amar você é a melhor coisa do mundo. por isso, agora, perco o chão, não acho as palavras, ando tão triste, deixo a porta aberta e não moro mais em mim. ando a me perguntar frequentemente sobre o que há de errado comigo e porque encerrou-se teu amor. há poucos dias que meu amado e volátil planeta me deixou, mas sinto saudades de te amar enlouquecida, de te beijar as mãos e o coração como se fizessem décadas. amargas e roxas décadas. agora amo com desespero, com auto-flagelo, com indignação. eu desejo dolorosamente ser feliz, mas para ser feliz necessito desnutrir o meu jardim. o nosso jardim. hoje, sou mendiga de mim. noites e dias grito e rezo e choro, e só tenho a mim para me amparar. há de um dia explicar-se esse desdém que tens para comigo? só eu poderei me convencer disto, pois você está feliz e convencido. ainda que tu de mim fujas, um sonho lindo ainda vai atrás de ti, te procurando, te querendo. o vento aos meus ouvidos, no seu murmúrio chuvoso da madrugada, parece tua voz, linda canção que me despertava e me dava vontade de viver. hoje grito aos céus, às folhas mortas que sentem falta do verão e ao meu chão perguntando por onde andas... terra abençoada onde pisas... eu pretendo lhe dizer que vou ter que lhe deixar pra ter ar nos meus pulmões. eu preciso lhe apagar de mim.  eu espero que você os deuses me perdoem por estas palavras tão doloridas, pois o que se faz por amor está além do bem e do mal.
peço perdão a mim e a ti por amar tanto.

lu

20130408

Volúpia



Minhas costas escoriadas não escondem
Não ocultam o desejo que ainda há na tua boca
Tua fome de mim é minha fome de ti
Enlanguescida, perpetuo-me em tua escrava
Sou escrava de mim, e por ti sou louca

Toda a dor instantaneamente me deixou
As lágrimas me deixaram e me ocupei de sêmen
Este que escorreu por minhas coxas e boca
Secou no meu corpo voluptuoso e endorfinizado
Abençoo tua espada que me rasga - Amém.

De todos os presentes que te dei, eis o mais presente
Eis o meu amor, ao teu dispor, sem pudor
Ainda que este negues, sei que meu calor não rejeitas
Que pena, meu bem, não haveria mal em tê-lo novamente
Só quero te encher de gritos, heresias, e com meu odor

Estas mordidas que trouxeram por trás despedida
Despedida neste amargo outono, aqui estou
Escoriada na alma e na pele, abri-me para ti
Não lava nem esfrega esta tatuagem que em ti deixei
Nutre, ao menos, o desejo pela flor vermelha que restou.

20130406


20130404


20130403

Os meus versos

Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!…

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente…

Rasgas os meus versos… Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!…


(Florbela Espanca)


Sete dias

Há um outono houve um estranho encontro
Dois distintos planetas iluminados
Por um fulguroso desejo de entrarem na mesma órbita.
O planeta por mim guiado não tardou em fazê-lo;
Lá estavam nossos céus com as mesmas estrelas e luas
Só não eram sabidas as tão discrepantes diferenças...

Hoje, a minha boca é vermelha, mas não lânguida.
É vermelha da luz do fulguroso desejo;
Desejo que não vence os intransponíveis atritos.
Meu planeta respira indignação: "quero orbitar com meu amor!"

Há sete dias que parece que há um outono 
Meu amado e volátil Netuno foi-se embora.
E me deixou... desorbitada!

20130402

Meu jardim

Minha pele destateia e arde
Cada pétala deixada de saudade.
Estas agora me encobrem como um véu
De uma noiva sem fome com gosto de fel.

Torno-me repetidamente mendiga de mim!
Estender-me a mão é desnutrir o meu jardim
Aquele em que semeamos nossa luz...
Onde hoje só habita a folha seca que me conduz.

20130401

O nosso mundo


Eu bebo a vida, a vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Pousando em ti o meu olhar eterno
Como pousam as folhas sobre os lagos…

Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!

A vida, meu amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas, hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…

O mundo, amor! … As nossas bocas juntas!…


(Florbela Espanca)

Chuva na varanda


Bate, chuva, bate forte
Bate com meu coração
Espanca forte na minha boca
A ausência daquela boca rude.
Rude, forte, doce; bate.

Molha, chuva, molha forte
Molha com meus olhos
Dissolve forte meu forte
Como o açúcar daquela frágil sorte.
Sorte, frágil, morte; molha.

Lava, chuva, lava forte
Lava com minhas mãos
Esfrega forte nos meus sonhos
O concreto daquele amargo adeus.