20121108

Nunca escureça



saudade que dói no peito e sangra
sangue, parece que nunca estanca!
lembrança de cheiros que espanca
dor à flor da pele que até espanta.

quem sabe um dia não tenha um luar
ideal p'ra gente poder desenhar?
uma nova história do amar
sem que nunca nada possa apagar.

mas, sei que ainda que aí eu esteja
que esta ausência entristeça,
sonhar é bom, não te esqueça...
então, por mim, nunca escureça.

20121106

Avassaladora

A minha dor


A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.


Os sinos têm dobres de agonias

Ao gemer, comovidos, o seu mal…
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias…


A minha Dor é um convento. Há lírios

Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!


Nesse triste convento aonde eu moro,

Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve… ninguém vê… ninguém…

(Florbela Espanca)