20111012

Dedos

Vejo estes dedos que outrora andavam com os meus; que outrora desenhavam os meus sonhos; que outrora endorfinizavam os meus sentidos; que outrora me acolhiam nos mais ternos afagos. E, em instante último, estalaram-se sobre a minha já despedaçada face. Passa dos dedos das mãos e dos pés o número de perfídias que estes dúbios dedos fizeram – e ainda fazem. Hoje, estes dedos, sem memória, delineiam outras histórias. E os meus, livres dos ímpios trilhos destes, fazem outros caminhos; os meus têm memória – mas uma boa memória. São agora sábios e sabem para que dedos devem entregar tamanha responsabilidade: a paz.

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