20111012

Gotta learn

"Não poderia haver felicidade, jovialidade, esperança, orgulho, presente, sem o esquecimento."









(Friedrich Nietzsche)

Queria eu

O que teria sido do ontem se eu tivesse as mesmas impressões da vida que eu tenho hoje? Queria eu ter sabido mais do amor, e não apenas do pueril amor. Teria aspirado para o meu coração cada uma das dose rosas que recebi e, certamente, teria sabido o quanto eras tão carinhoso e o tanto tanto que me querias e como era sincero o teu amor. Teria eu não fugido mais de ti? A minha pequena compreensão fez de mim pequena. Queria eu ter descoberto da forma mais doce os segredos que a vida estava por nos trazer. Joguei tudo ao alto por insegurança. Hoje, madura, guardo com imensa nostalgia tudo o que eu passei neste ontem. E me forço a compreender que o meu ato inseguro trazia por trás uma grande atitude de preservação: preservei-nos do mundo. Fiz com que, separados, compreendêssemos as escaras terrenas. Essa mensagem não chegará ao destinatário, mas estou certa que o mesmo sente tudo isso igualzinho a mim. Não crescemos juntos até agora, mas crescemos juntos enquanto pudemos.

astronauta da saudade

vem, menino, e não tarda!
vem logo me dizer da lua
e dos segredos dela!
me diz se ela é de queijo
e se ele é bom.
me diz se a poeira lunar
te faz espirrar!
me diz se quando minguante
tu escorrega e cai
ou se quando nova
tu desaparece com ela!
vem, menino, e não tarda!
vem que o espaço,
meu menino astro,
fica muito melhor
contigo aqui comigo.

Dedos

Vejo estes dedos que outrora andavam com os meus; que outrora desenhavam os meus sonhos; que outrora endorfinizavam os meus sentidos; que outrora me acolhiam nos mais ternos afagos. E, em instante último, estalaram-se sobre a minha já despedaçada face. Passa dos dedos das mãos e dos pés o número de perfídias que estes dúbios dedos fizeram – e ainda fazem. Hoje, estes dedos, sem memória, delineiam outras histórias. E os meus, livres dos ímpios trilhos destes, fazem outros caminhos; os meus têm memória – mas uma boa memória. São agora sábios e sabem para que dedos devem entregar tamanha responsabilidade: a paz.