Eu me sinto flutuar e passar pelo vazio da minha existência. Coisas que, em hábito, eu faço por prazer ou por obrigação, em momentos como esse não me fazem sentido. E então surge uma clausura. Ela sempre esteve aí, embora invisível aos meus olhos de hábito. Mas, aos olhos do silêncio, ela vem à tona e me encobre por completo; e eu quero sair. A solução que me vem à (agora insensata) mente é de simplesmente triturar os meus ossos e arrancar os meus pulmões e assim, enfim, preencher o vazio que você é em mim. E assim poderei justificar todas as minhas tão não ouvidas razões. Eu me vejo em meio a tanta fragilidade que, no auge da minha pequena sensatez, me sinto egoísta em querer contar com o apoio dos outros; não seria acabar puxando os outros que, oh, nada têm a ver com os meus infortúnios pessoais, para o mesmo buraco? Então o meu auxílio vem do efêmero tempo, que me retornará ao tão puro estado de inconsciência, onde o habitual me faz sorrir.
20100930
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