20100930

Bem secreto

Da minha boca saem repúdios,
saem maus agouros, maldições;
e de onde sai tanto desdém?

Tanto desamor é fruto do
meu triste e roxo peito.
No meu peito brotam pétalas
brotam ardorosas cartas e
todo o bem que eu lhe quero.

Portanto, se ouvires o que
mal te digo, responde a altura:
Eu bem mereço. Não se deve
cobrir com pus o que é ternura.

Habitual

Eu me sinto flutuar e passar pelo vazio da minha existência. Coisas que, em hábito, eu faço por prazer ou por obrigação, em momentos como esse não me fazem sentido. E então surge uma clausura. Ela sempre esteve aí, embora invisível aos meus olhos de hábito. Mas, aos olhos do silêncio, ela vem à tona e me encobre por completo; e eu quero sair. A solução que me vem à (agora insensata) mente é de simplesmente triturar os meus ossos e arrancar os meus pulmões e assim, enfim, preencher o vazio que você é em mim. E assim poderei justificar todas as minhas tão não ouvidas razões. Eu me vejo em meio a tanta fragilidade que, no auge da minha pequena sensatez, me sinto egoísta em querer contar com o apoio dos outros; não seria acabar puxando os outros que, oh, nada têm a ver com os meus infortúnios pessoais, para o mesmo buraco? Então o meu auxílio vem do efêmero tempo, que me retornará ao tão puro estado de inconsciência, onde o habitual me faz sorrir.

20100914

Tristeza




20100909

Medo

é inerente à natureza humana temer o desconhecido. o homem teme o que, talvez, há além da sua realidade. teme o paranormal. alguns têm medo de caminhar até uma esquina por fantasiarem algum tipo de perigo. é essa a real questão: fantasia. o homem tem medo porque fantasia, porque dá asas ao pensamento, o que muitas vezes pode bater de frente com a razão. eu mesma entro neste entrave muitas vezes. ponho em campo de batalha o meu pensamento com asas e a minha razão. e, para o desespero do meu todo, a razão perde. e aí eu não consigo fazer mais nada: vão aos ares, junto com os meus pensamentos com asas, os meus planos, as minhas atividades e o meu bom senso. e aí eu tenho medo. tenho medo do escuro, tenho medo do além-vida, tenho medo das esquinas, tenho medo do abandono. tenho medo de abrir os olhos e ver que os seus olhos nunca estiveram fechados. por força da tão debilitada, porém persistente, razão, mantenho-os fechados e vou seguindo o meu beijo. mesmo com todos os meus pensamentos voando, voando e me pondo a todo momento contra as minhas próprias paredes.