20101213

Herética

herética, sou, por
cheirar teu perfume
apertar teu abraço
e querer mais além.

por clamar por mais,
mais cheiro, mais aperto
por sempre sentir sede
por nunca me saciar.

o que pode ser mais
todo que você inteiro?
respiro insatisfação
e agora me vem o porquê:

herética, sou, por
não ver o que falta.
sou eu, falha, sou eu,
incompleta.

herética, sou, por
querer ver mácula
querer ver podre
onde não há.

20101124

psycho

20101116

...Said sadly

20101112

Espera

minha espera nada mais é
que um frívolo capricho.
me atordoo, me enclausuro,
espero, desespero, espero.
para, simplesmente, ao fim,
não mais esperar. apenas lego
meu tão pífio desespero.

20101019

Costura

teci em meus lençóis os nossos sussurros
em meus travesseiros está inscrito o nosso suor
dele escorre a febre dos nossos corpos nus
e dos sussurros se esvaem arranhões
estes tão pérfidos quanto as gritadas heresias
estas tão imaculadas quanto o nosso desejo.
teci em meu peito o nosso amor
inscrevi a nossa doce melodia na pauta da vida
e dela escorre a mais pura vontade de tecer
as mais lindas abstratas coloridas roupas
para simplesmente vê-las no chão.

20100930

Bem secreto

Da minha boca saem repúdios,
saem maus agouros, maldições;
e de onde sai tanto desdém?

Tanto desamor é fruto do
meu triste e roxo peito.
No meu peito brotam pétalas
brotam ardorosas cartas e
todo o bem que eu lhe quero.

Portanto, se ouvires o que
mal te digo, responde a altura:
Eu bem mereço. Não se deve
cobrir com pus o que é ternura.

Habitual

Eu me sinto flutuar e passar pelo vazio da minha existência. Coisas que, em hábito, eu faço por prazer ou por obrigação, em momentos como esse não me fazem sentido. E então surge uma clausura. Ela sempre esteve aí, embora invisível aos meus olhos de hábito. Mas, aos olhos do silêncio, ela vem à tona e me encobre por completo; e eu quero sair. A solução que me vem à (agora insensata) mente é de simplesmente triturar os meus ossos e arrancar os meus pulmões e assim, enfim, preencher o vazio que você é em mim. E assim poderei justificar todas as minhas tão não ouvidas razões. Eu me vejo em meio a tanta fragilidade que, no auge da minha pequena sensatez, me sinto egoísta em querer contar com o apoio dos outros; não seria acabar puxando os outros que, oh, nada têm a ver com os meus infortúnios pessoais, para o mesmo buraco? Então o meu auxílio vem do efêmero tempo, que me retornará ao tão puro estado de inconsciência, onde o habitual me faz sorrir.

20100914

Tristeza




20100909

Medo

é inerente à natureza humana temer o desconhecido. o homem teme o que, talvez, há além da sua realidade. teme o paranormal. alguns têm medo de caminhar até uma esquina por fantasiarem algum tipo de perigo. é essa a real questão: fantasia. o homem tem medo porque fantasia, porque dá asas ao pensamento, o que muitas vezes pode bater de frente com a razão. eu mesma entro neste entrave muitas vezes. ponho em campo de batalha o meu pensamento com asas e a minha razão. e, para o desespero do meu todo, a razão perde. e aí eu não consigo fazer mais nada: vão aos ares, junto com os meus pensamentos com asas, os meus planos, as minhas atividades e o meu bom senso. e aí eu tenho medo. tenho medo do escuro, tenho medo do além-vida, tenho medo das esquinas, tenho medo do abandono. tenho medo de abrir os olhos e ver que os seus olhos nunca estiveram fechados. por força da tão debilitada, porém persistente, razão, mantenho-os fechados e vou seguindo o meu beijo. mesmo com todos os meus pensamentos voando, voando e me pondo a todo momento contra as minhas próprias paredes.

20100823

Luz


O brilho da luz muito diz respeito ao que me nutre.
É ele que sacia o que me enduvida,
é ele que corrói o que me entreva,
é ele que desperta o que me oculta.
Agora sou lúcida, clara, esclarecida.
O brilho da luz me emergiu da sua própria ausência.

20100816

O meu amor

Qual?

qual é a sensatez a ser seguida?
qual a tez eu devo selar com meus beijos?
qual é a ponte a ser erguida?
qual o caminho que eu devo por meus pés?
qual é a verdade a ser jogada?
qual a mentira que eu devo escarrar por meu nariz?
qual é a pergunta a ser feita?
qual a resposta que eu devo dar aos meus olhos?

20100815

Procura

quem procura acha quem procura acha quem
procura acha quem acha procura mais e mais
e mais ai se se pudesse achar assim que se co
meçasse a procurar a busca pelo achado da pr
ocura por quem acha quem procura acha quem
procura acha quem acha procura mais e mais e
mais e mais ai se se pudesse procurar sempre p
ara que sempre se pudesse achar o procurado!


20100809

Se

20100802

Flores


Não te preocupes, amor,
com as flores que dei a ti.
Um dia, sim, elas perderão
o brilho do perfume tal como
a beleza nas pétalas.
Nosso amor, como as flores,
pode, um dia, perder o viço.
Mas preocupa-te, apenas, em
viver a eternidade da
efêmera riqueza das flores.

20100801

Perdendo dentes

20100720

Concreta

Eu, n'outras vezes tão fluida,
e também n'outras tão volátil,
fixo à força meus pés no chão
para não mais me dissipar.

O que me põe ereta, o que
me faz objetiva não é suficiente:
ainda pendo p'ros lados, ainda
fico bamba e maleável.

Frágil demais, meu caule
não sustenta a pretensão
das minhas flores.

Pretensa demais, quero
meus frutos à mostra
para todos.

QUATRO DE JULHO

Tudo em nossa vida é cíclico. A própria vida é um grande ciclo. A vida é uma linha de compensações. Vem e vão atividades, vem e vão lugares, vem e vão pessoas. Algumas delas mal passam um mês conosco e são capazes de nos desestruturar por completo. Outras estão conosco há mais de vinte anos e, quando se vão, mal sentimos falta. E, infelizmente, são necessários quarenta e um anos interrompidos para que nós percebamos a real valia daquela pessoa em nossas vidas e também nas outras.
É realmente necessário que as coisas e pessoas se despeçam de nós para tudo seja realmente sentido e analisado em nossas peles? É necessário que um ciclo se interrompa para que nós vejamos o que ele significava?
Parece que é. E parece que isso é humano. A partir da quebra, vemos cada rastro, cada pedacinho que o nosso querido ente deixou pelo mundo, que importância ele teve. Afinal, não sejamos egoístas, dentro de um grande ciclo há vários outros.

Ele é um filho. Ele é um irmão. Ele é um tio. Ele é um amigo. Ele é um mestre. É meu titio que nos deu adeus.
Transcenda em paz.

(1963 - 2004)

20100629

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”


(Florbela Espanca)

20100621

Brasa

Ai! Que intenso o calor
do teu abraço, o furor
do teu aperto, e que doce
o clamor do teu apelo!

Deixa que eu me inunde
no fundo dos teus olhos
mais além da tua boca
e deslize nos nós do teu cabelo!

E não permite jamais
que teu infantil olhar se cerre
que teu sutil ardor cesse
e tampouco que a brasa apague.

Chama-me para tua chama
me abraça com tua brasa
me acerta em cheio com teu cheiro
queira, meu bem, que eu te arda.

20100618

Insultos são servos inconcretos

"Este lápis e papel são todos meus
Nesta noite de insultos tão belos e sinceros."


Minha letra pode ser bonita,
Minha letra pode ser do verso,
Minha letra pode ser da palavra.

Minha palavra não pode ser tua.
Mas, pode ser teu, o meu verso?
Pode e será.

"Nada sinto, pois a nada dou valia,
Ganhar e perder: qual a diferença?
Se ganho, pode ser lucro,
Se perco, pode ser lucro.
Pode ser. Mas e daí?
Não me vale. E assim sigo feliz,
Feliz no escárnio e na cólera
De não sentir."


(11/05/2010)

20100617

Absolvida

Apontaram-lhe as mais pontudas palavras.
Os que lançaram, agora, estão em conforto.
A estes nada aconteceu: ficaram impunes.
Que esperar? O atroz julgamento é a ela.
Contudo, no íntimo, sabem que assim não deve ser.
Aqui, o senso de justiça parece inerente a todos.
- Deixe-a ir. Livre. Já não há tempo,
Já não há força para ladrar. Deixe-a ir,
Esta terra já a assoreou demais
Este amor já a apunhalou demais
Este caminho já a traiu demais.
Dê a ela a salvação; outros trilhos.
Dê a ela outra razão; a absolvição.

Ludibriada

- Aqui está, senhora,
o que vos prometi. -
Disse-lhe a voz do Amor.
Mas, que infortúnio!
Que pesar não antes
ter sabido o seu real nome:
Chamava-se Ludíbrio.
Abraçou todas as promessas
e o mais sulfuroso ar
tomou em seus pulmões.
Mas, que infortúnio!
Que pesar não antes
ter iluminado os olhos.

20100611

Saudosa

Lembro-me dos odores, do calor, das feições
Cada lembrança é posta em meu mural de amores
Umas me trazem lágrimas e tristeza
Mas outras me fazem rir com doçura
Me fazem ver que a estrada é tortuosa
E que certamente devo seguir, sempre em frente
Olho para trás, e o que vejo me traz saudades
Olho para trás, sim, mas nunca retrocedo
Olho para trás, e choro e sorrio por todas elas.

20100609

Omitida

Depois de todo o estorvo,
Por trás de todos os baques,
Lá está ela, a Omitida.
É preferível que assim seja,
Omitida, só assim nada mais cessará.
Os rios correm, as mãos aplaudem,
Os olhos ficam vorazes, as vozes sagazes,
As flores têm cores, os jovens amores,
Por assim, Omitida, ela ser.
É sim, triste, por esse preço pagar
Para tão lindas coisas cursarem.
Mas no fim, sua amarga sina será doce.
E então será Relevada; não Omitida.

20100607

O Mar

Sou eu, o Mar. O majestoso, o profundo, o fluido, o maleável. À luz quente e radiosa do Sol, sou brilhoso como esmeralda e me aparento afável como uma mãe. À luz gélida e sombria da Lua, sou brilhoso como a mais preciosa das joias e levo lágrimas aos olhos românticos. Sou vida. Sou paradoxal em minha ressaca. Sou intranquilo, turbulento, ao passo em que sou quieto e apaziguante. Sei contemplar, sei ser contemplado. Sei da minha beleza e sei de todas as outras. Mas, ante injustiças, sou impiedoso e cruel. Eu, cheio de vida, não suporto ver nada sendo tomado: dissolvo tudo o que foi construído sobre uma desconstrução. Sou vida. Sou ciclo.

20100602

Quasímodo

Aquela a quem julgavas musa
Dotada dos maiores e melhores atributos
Rica em doçura e encanto
Tornou-se digna de ojeriza
Merecedora de julgamentos:
É adornada pelas piores formas.

Disforme, sim, tornou-se.
Ficou torta e triste.
Tão abrupta foi a mudança
Que já não se sabe o que foi antes:
Teria tão horrenda criatura,
Tão execrável já ter sido diferente?

Não: assim ela foi feita.
Nunca foi e nem será aprazível.
Nasceu novamente, e assim nasceu:
Débil e doente e repudiável.
Olhares tortos e maldosos não são suficientes:
- Vai, medonha, varre tua existência malquista!

Mas o que há por trás da horrenda, embora esquecido,
Ainda persiste, ainda que de modo debilitado.
Não há afago que a reerga de tantos buracos.
As escaras são tão terríveis quanto a forma que tomou.
Talvez, aquela a quem julgavas musa, mereça compaixão.
Ou não: ela merece, até o fim, ser aversada.

20100601

Desvalida

o fio que tece a agulha
o motor que sai do ronco
o sol que sai da luz
a flor que vem do perfume
o sexo que sai do gozo
a boca que vem do sorriso:
já não têm mais a força vital
acabou-se o movimento
já não têm mais validade
acabou-se o que era doce:
restou o amargo da invalidez

20100528

Infértil

Na minha terra não há adubo
que gere amor.
Na minha terra não há amor
que gere laços.
Na minha terra não há laços
que gerem vida.

Na minha vida não há amor.
Na minha vida não há terra.
Na minha vida não há vida.

Minha terra é estéril,
Minha terra é débil,
Minha terra é infértil.

Não há adubo.
Não há laços.
Não há amor.
Não há vida.
Não há terra.

Sou seca.

É noite de lua cheia, amor

É noite de lua cheia, amor.

Numa dessas me rendi a tuas feições.
E hoje, amor, nada tenho teu.

Guardo no peito o bom.
O mau, diluo com o bem.

Como tu bem aqui estavas
e mal daqui foste embora?

O bem que tu, amor, me fizeste
foi bem mostrar-me o mal que existe.

É noite de lua cheia, amor,
e ela chora por mim.

20100525

Olhar

A quem tudo observa e não é observado.


Daqui, tudo vejo: cada passo, cada pessoa.
Cada ciso, cada riso.
Cada folia, cada alegria.

Mas, daqui, nada sinto:
Não sinto o amor, não sinto a dor.
Não sinto o fervor, não sinto o furor.

Apenas enxergo o que apenas me é permitido.
Que seria de mim se pudesse tudo ver?
Ver o que recheia o passado, o presente e o futuro?

Essa luz agradeço não ter.
Prefiro a escuridão de não sentir.

20100518

Resposta

Tu, a quem fechei meus olhos e me entreguei, que dos mais inverossímeis pensamentos não sonhei que impiedosamente contra mim e nossas cúmplices promessas ofegantes lançaste-me cólera, injúrias, traição e demasiadamente foste tosco e insensível.
Oh, não pudera eu outrora te amar e te lançar tanta confiança e crédito doravante incrédula por ti. Quero que saibas, ao menos imagines, que para tua face que intenta o mal como uma navalha afiada traçando enganos, não quero mais olhar. E tua voz que gesticula mais que teus pensamentos não quero mais ouvir. E também em teus olhos que vertiginosamente me cegaram e que confundiram minha razão outrora, ao passo que eu havia com toda credibilidade e conveniência que se pode esperar de um início de amizade, te aceitei em minha vida.
Vai e esquece, pois as lembranças nada mudam e, no nosso caso, ficas no passado, pois é o lugar em que melhor te encaixas.
(Rariela)

Pergunta

Oh, grande dor que me atormenta! Súplicas, ainda que incessantes, mostram-se insuficientes para que minha alma e corpo se apaziguem. Nada me resta além do sofrer pelos enganos que tive e que ainda tenho. Que mais pode ferir que uma entrega sem retornos? Respondo a mim mesma: fere muito mais uma entrega com retornos falsos, adornados por uma beleza que oculta grandes males, tais como a perfídia e a frivolidade. De tal entrega não me arrependo. Como pudera eu saber de tudo que estava por vir? Eu fazia o que era mais que certo para os meus intentos. E certa sempre estive de que a nada nem a ninguém corrompia. A mácula que tanto me abraça com seus espinhos e venenos é a grande certeza, que tanto me abala, de que nada mais tenho a entregar: a nada, a ninguém, a nenhum outro ser. Nada se dispõe a atenuar o meu sofrer, além da vida que ainda existe. Nada mais além. Oh, grande dor que me atormenta!
(Luíza)

-

Os textos que acima seguem foram feitos logo após uma atenciosa leitura, com uma grande companheira minha, da tragédia mais perfeita já escrita, segundo Aristóteles. Embora o tema deles não se assemelhe à inspiração, não é isso o que mais chama atenção: estes foram escritos paralelamente, sem nenhuma espécie de conluio e, mesmo assim, um pareceu resposta ao outro. Isto seria facilmente explicado por um racional que isto não passou de uma simples coincidência, já que o tema dos pensamentos já foi bastante debatido. Mas minha persona é sempre levada a crer nas questões mais espirituais. Convém muito mais a mim pensar que eu e minha amiga temos uma forte ligação. Acredito que ela sentiu que em mim certas perguntas que deveriam ser respondidas, ou que ao menos a turbulência causada pelas perguntas fosse abrandada. Assim sinto, assim acredito e assim foi.

20100508

"Mal secreto"

Todos pedem para que seja omitida a nossa verdadeira face. Há uma valorização do uso da razão ao passo em que as pessoas se destroem paulatinamente por não exporem o que são, e sim o que gostariam de ser. Esgota-se a busca pela transcendência espiritual, crescendo a busca extremamente curta pelos meios que levam até esta. Esses meios tornaram-se um sustento, uma base, para que as pessoas não caiam na desgraça de perceberem em quais condições elas estão inseridas. Desse modo, a tão almejada razão não é exercida em fato. Que utilidade têm as máscaras, senão cobrir a cólera que domina os infelizes?

20100427

para Luíza

tenho que ser fria pra esquentar meu coração
artista... olho nos teus olhos e encontro solidão
você é tão verdadeiro, como pude duvidar?
mas tudo bem, te tenho, talvez vá me entregar
vejo vultos desbotados, será alucinação?
mas você os espantou, pelo menos garantiu
meu cigarro? não encontro, espere, vou procurar
o que acho? o meu sono, que já era de se esperar
pois perdê-lo por tão pouco pra que?
..........
se sei
que sempre hei de achar no fim da rua furtada
você sempre há de esperar


(Rariela)


20100422

A chaga

A chaga que, Senhora, me fizeste,
Não foi para curar-se em um só dia;
Porque crescendo vai com tal porfia,
Que bem descobre o intento que tivestes.

De causar tanta dor não vos doestes?
Mas, a doer-vos, dor me não seria,
Pois já com esperança me veria
Do que vós, que em mim visse, não quisestes.

Os olhos com que todo me roubastes
Foram causa do mal que vou passando;
E vós estais fingindo o não causastes.

Mas eu me vingarei. E sabeis quando?
Quando vos vir queixar porque deixastes
Ir-se a minha alma neles abrasando.

20100414

infantil

Se não respeitar seus tutores é ser legal, se intolerar e desprezar o que não pertence a sua realidade é ser forte, se mentir cruelmente para apaziguar questões próprias é ser sagaz, se ir à busca das produções dos maiores gênios da arte ainda que não se tire muito proveito pessoal com isso é ser culto, se agir inconsequentemente em benefício próprio é ser realista, se falar em alto e em bom tom obscenidades é ser independente, se ir a confronto com princípios e valores da sociedade de forma violenta e repugnante é ser “cabeça”, se se destrói toda uma vida em benefício próprio de forma consciente ou não é ser maduro, meu Deus, eu sou uma criança chata, fraca, tola, ignorante, romântica, presa, alienada e infantil.

20100403

medellia of the gray skies

you're an empty promise, you're an easy chair
you're the gods forces struck down somewhere
you're a secret noticed, you're a mystery sky
you're a wish floated up to the night
medellia of my eyes, you're the emptiness of i
you're the reason that i write
and if you say you will. i will love you still
and if i could, i'd throw away this world
i'd dress you all in pearls
i'd give you what you wanted
you're all i notice in a crowded room
you're vacant motives unmoved, revealed
medellia of my eyes, you're the emptiness of i
you're the reason that i drive
and if you say you will. i will love you still
and if i just could be anything for you
just anyone at all
anything that mattered, washed out
you're the silly reasons in a goldfish laugh
you're the ageless season at rest at last

20100329

feliz ano novo

lá estava a lua cheia. grande e amarela, linda. no momento em que a vi, meu coração apertou e comecei a chorar como uma criança. por que diabos você está até no luar? eu tento, tento e tento tirar você de mim, mas você já está em tudo: no sorvete do beijo frio, nas calçadas dos bares, no gosto da água da minha casa, no sabor do marlboro, na fragância da cerveja, nos beijos dos filmes, no calor dos abraços, no conforto da minha cama... você simplesmente É todas essas coisas. eu posso estar sentindo a maior das raivas, o mais execrável repúdio, mas você continua SENDO e SERÁ por muito tempo.

20100318

Eu não existo sem você



Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano

Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

20100313

love will tear us apart again

Você chora durante seu sono,
Todos os meus fracassos expostos
E há um gosto em minha boca
Enquanto o desespero toma conta
Será que algo tão bom
Simplesmente não funciona mais?

20100310

sutilezas ao amor

oh, minha musa! pele tão branca! tão branca de tanto gozo depositado em teu corpo!
tens os olhos verdes mais lindos! esmeraldas? não! verdes de lodo fétido!
boca tão vermelha... vermelha de sangue que tua própria carne execra por tanta podridão!
oh, meu bem, meu prazer! teu corpo! como poderia eu desprezar-te se tu me serves teu cono?

20100306

querida

quero que me queira inteira. quero que me queira em cada minúcia. quero que me queira em cada momento, em cada devaneio. quero que me queira em cada deslize. quero que me queira com suor. quero que me queira com sangue. quero que me queira nua. quero que me queira tua. quero que me queira completa ou despedaçada. quero que me queira menina. quero que me queira amante ou amada. quero que me queira todos os dias da semana. quero que me queira às refeições. quero que me queira refeição. quero que me queira palavrear. quero que me queira bem. quero que me queira.