20090527

A origem dos poliquetos

o conto que segue foi feito a partir de uma proposta lançada pela minha professora de redação: foram dados os personagens que tinham que ser ao menos citados (minhoca, sereia e pescador), o momento do dia (madrugada) e o tipo de narrativa (terceira pessoa). eis o resultado da mistura de cinco lindas cabeças:

Foi numa madrugada de lua cheia que a minhoca Felipe casou-se com a sereia Joana. O casamento tinha tudo a seu favor, com a exceção da coisa mais importante: a fidelidade. Joana era jovem, enérgica e estava com os seus hormônios marinhos à flor da pele. Felipe era traído freqüentemente com uma grande variedade de animais e, mesmo sabendo disso, deixava passar: o seu amor pela sereia era muito grande e ele não queria perdê-la.

Certa madrugada, Joana, mais uma vez, o traiu. Desta vez, Felipe resolveu ser forte e ver com quem estava sendo traído espionando pelo buraco da fechadura da porta, que estava aberta. Quando viu, mal acreditou: era um pescador, um humano! Imediatamente, ele entra no quarto e grita:
- Joana! Um humano? Agora você passou de todos os limites! Você feriu a minha honra! O que as outras minhocas dirão a meu respeito? Provavelmente, que não tenho moral alguma! Preciso convocar neste mesmo instante a MM!
- Ah, Felipe! Não vê que estou ocupada? Deixe-me acabar as coisas aqui. Ah!, espere! Conheça Gibraltar, o pescador.
- Glub, glub, glub!
- Mulher, ele vai morrer afogado. Leve-o para onde há ar atmosférico, embora eu prefira que ele morra!
- Nossa, é verdade! Eu o levarei agora mesmo para a terra firme, depois voltamos. Tchau, Felipe!
Neste momento, Felipe enxergou quem realmente era sua esposa: um ser devasso, libertino e sem sentimentos. Como havia dito, a minhoca convocou a MM (a Máfia das Minhocas, uma sociedade liderada por Felipe).
Já no Grande Fórum Oligoqueta, todas as minhocas já sabiam do ocorrido: estavam todas revoltadas e gritando extasiadas. Felipe subiu no seu palanque que ficava no centro do fórum e, visivelmente abalado, começou a dizer:
- Calma, minhas amigas. Eu sei que o que aconteceu (não sei como a notícia se espalhou tão rápido) feriu não apenas o código minhocal, mas também feriu a nossa honra! Precisamos tomar alguma atitude!, e eu já pensei em algo: vamos unir nossas forças contra o império de Poseidon, o deus do mar!
- IÉÉÉÉÉ! – gritaram, eufóricas, as minhocas.
Rapidamente organizou-se um grande batalhão formado por centenas de milhares de minhocas. Liderado por Felipe, o exército se dirigiu ao pomposo palácio de Poseidon, sendo guiados por gritos de encorajamento de toda a comunidade marinha.
Chegando ao palácio, Felipe e seu batalhão derrubaram o portão de entrada, o que mostrou a força das minhocas unidas. Poseidon apareceu enfurecido e exclamou:
- Mas que barbárie é esta?! O que vocês, minhocas, seres inferiores, pensam que estão fazendo?!
- Sua filha, Joana, nos desrespeitou! Se Vossa divindade ainda não sabe, eu vos digo: ela me traiu com um humano, esta terrível forma de vida! – disse Felipe.
- Isto é uma pilhéria?! Vocês derrubaram o meu até então intransponível portão por causa disso? Pois lhes rogo uma praga que nunca as farão esquecer do poder de Poseidon!
Depois destas palavras, só se ouviu um grande estrondo e nada mais se viu além de uma luz quase cegante.
No outro dia, Felipe acordou sentindo-se estranho. Abriu os olhos e encontrou-se numa massa fofa e molhada, onde encontrou todas as suas companheiras minhocas. Ficou lá por muito tempo percebendo que, aos poucos, as minhocas estavam sendo levadas.
De repente, Felipe foi puxado e viu do que se trava: estava em terra firme e todas as minhocas estavam sendo mortas por um objeto metálico que as perfurava, antes de serem arremessadas ao mar, sendo usadas de atrativo para peixes.
- Agora sim, um real motivo para odiar humanos – pensou Felipe, segundos antes de ter seu tronco rasgado.

20090518

love comes in colors i can't deny

Ela se parece comigo.
Não pelos cabelos, cor dos olhos, ou pela voz.
Assemelha-se por outras razões. Muitas outras.
Seu abraço é o meu. Seu beijo é o meu. Seu cheiro é o meu.
Tudo nela é meu e sou eu.
Seja ontem, hoje e, com certeza, amanhã...
Então, seria ela, eu, ou parte de mim?
Penso que os dois.
Todavia, posso estar errado.
E, de fato, estou!
Ela nem sou eu... Muito menos um pedaço!
Somos sim, uma peça só.