20081230

entre lençóis


entre lençóis é um filme que tinha de tudo pra ser bom: a beleza dos dois únicos personagens (paola oliveira e reynaldo gianecchini), a boa idéia de um único cenário (um quarto de motel) e um ótimo roteiro com um único objetivo: mostrar a fragilidade dos relacionamentos, que podem ser quebrados apenas com uma intensa noite entre dois desconhecidos.
no começo eu achei todos os closes nos atores muito exagerados, que estavam usando e abusando da beleza deles. mas ao decorrer do filme , entendi que era tudo uma visão dos personagens.
mas todos esses motivos aparentemente bons para se gostar de um filme me fizeram sair do cinema dizendo: "o que diabos foi esse filme?!" todo o meu feitiço por esses detalhes que eu consegui perceber foi quebrado por um simples motivo: a trilha sonora. não sei se teve alguma influência da nacionalidade do diretor (colombiana), mas em alguns momentos parecia que eu estava assistindo "a usurpadora". uns suspenses musicais ultra-desnecessários, fundo de final feliz de filmes da disney e música de motel (tudo bem que o cenário é um motel, mas não poderiam ter escolhido algo menos característico?) me fizeram dar várias gargalhadas durante todo o filme.
os três reais que paguei valeram pela beleza dos atores, ignorando algumas frases manjadas e algumas conversas bem previsíveis. o conjunto do filme definitivamente não deu certo.
o que diabos foi esse filme?!

20081222

praia

hoje eu fui à praia e bronzeei só as costas: dormi e esqueci do fato que o sol queima. outra vez fui e consegui a proeza de só bronzar metade das costas. tenho que ir de novo à praia e bronzear o resto, ou não! quem sabe não lanço moda por aí. cada coisa que já foi moda. no século xviii o peso ideal de uma mulher com mais de 25 anos era a partir de 75 quilos. hoje é natural uma mulher com 46, o que antigamente soava um absurdo. falando em século xviii, estou lendo um livro biográfico de luís xvi da frança. apesar de não ser chato, foi o que me fez dormir e me queimar na bunda e nas costas.

20081219

robô

apática
sem reações
sem surpresas
sem insistência
mecânica
sem humor
sem alegria
sem apetite
desligada
ligada
pilha de nervos
histérica
atrevida
ácida demais
desprazer

isso tudo em uma só cabeça

20081202

peruca

A peruca é o símbolo mais apropriado para o erudito puro. Trata-se de homens que adornam a cabeça com uma rica massa de cabelo alheio porque carecem de cabelos próprios. Da mesma maneira, a erudição consiste num adorno com uma grande quantidade de pensamentos alheios, que evidentemente, em comparação com os fios provenientes do fundo e do solo mais próprios, não assentam de modo tão natural, nem se aplicam a todos os casos ou se adaptam de modo tão apropriado a todos os objetivos, nem se enraízam com firmeza, tampouco são substituídos de imediato, depois de utilizados, por outros pensamentos provenientes da mesma fonte.

(Trecho retirado de A Arte de Escrever de Arthur Schopenhauer)

pessoas
são boas
pessoas
são boas
animais
são pessoas
são boas
pessoas são
animais
são boas
pessoas são
animais
que são
pessoas
são boas
pessoas


(24/10/2005)