20160823

I miss you so much





Dearest, sinto sua falta.
Sinto falta de te cheirar até de manhã
Gozar, gozar e gozar 
Até minhas pupilas voltarem ao normal

Dearest, sinto sua falta
Quando eu te tirei da minha vida,
Eu tirei a minha euforia
E nem café dispara mais meu coração

Dearest, sinto sua falta
Queria um, três, sete tiros
Eminentemente fatais
Como era fatal a sua presença

Dearest, I miss you so bad.

20150420

bloqueio

Primeiro você me incita
Excita
Extasia
Incendeia
Rasga
Invade
Por fim evade.
Me bloqueia
Confunde
Desconcerta
Acorrenta.

Te amar é um bloqueio.

20150201

essa não é uma história de amor

em 25 dias o sol é seu
mesma geração, idade!,
mundos opostos, vida!
te cultivo no meu sono
na minha úmida vulva
na boca vermelha
que anseia tua língua
nos meus quadris
que anseiam tuas unhas

não se trata de amor
é uma história de paixão
de lascívia, de pecado
é uma boa história, sim,
pecar contigo, delícia,
era uma prática divina
ofegante, extasiante!

distante, te tenho
na minha garganta
nos meus dentes
nas minhas unhas
nos meus dedos
e nos meus seios
te amo.

20141031

São Paulo e ele

Os passos inquietos e decididos que percorrem o centro de São Paulo são a cara dele. Não existe amor em SP? Não existe mesmo pros meus passos provincianos. Cheguei a essa conclusão. Todos os dias quando desperto, ainda com sorriso no rosto, de sonhos com ele, chego a essa conclusão. Não me amou. Em breve fará um ano que os meus pés não andam mais ao lado dos dele, entretanto, farão dois que ele  não sai da minha memória. Ele é tão nocivo quanto uma linha branca de pó. Jamais escutarei Zé Ramalho novamente sem me lembrar que no Vale do Anhangabaú ele me negou uma dança enquanto Zé estava se apresentando. O mesmo vale pra Alceu Valença, já que o vimos jantar em um restaurante no final da Augusta. A Consolação viu ele me negar um beijo quando a partir daquele momento passaríamos meses sem nos ver. Na Avenida São João, meu coração doía quando ele se referia a mim como amiga. Nessa minha breve estadia na cidade que não dorme, eu o convidei para fazer amor. Ele, sem hesitar, aceitou por duas vezes fazer o que melhor tínhamos em comum: sexo. Sexo selvagem, longo, sanguinolento e que tinha uma intimidade tão restrita a nós. Ao abrir a janela do hotel de manhã, pude ver uma ponte que abrigava moradores de rua. Na sacada da janela, vi inúmeros pinos de cocaína vazios e piolas de cigarro. Na cama, o vi dormindo. Derramei uma lágrima e lhe escrevi uma mensagem para seu celular. A noite para ele tinha sido de diversão. Para mim, de entrega. E assim ele se tornara São Paulo. E eu uma garota provinciana apaixonada que percebia que astrologia só fez sentido no nosso primeiro encontro,  quando ele me dizia que nós piscianos estamos na nossa última passagem pelo planeta. Hoje não tenho mais notícias dele. Não sei se ele pensa em mim. Sei apenas que ele está  feliz. Quanto a mim, caio em tristeza em qualquer menção a São Paulo.

20140917

Você é como um sonho

Numa dessas tardes que já dão sinal da noite, ternas como o cerrar dos olhos feridos de choro, sonhei com você mais uma vez em uma festa. Com os sentidos entregues ao delírio, você veio a mim como antes já veio: balbuciando frases sem sentido e desconexas, eu era a única. “Única o que?”, eu pensei. Diante da sua inconsequente  ebriedade de se dirigir a mim, de repente o som se emudeceu e só restamos eu e você num espaço escuro. Decidi lhe trazer para minha casa, que já fora nossa. Sentei-lhe em uma cadeira abaixo do chuveiro e vi a água fria da madrugada correr no teu corpo despido. Meu coração apertava junto com os meus olhos, incrédulos de tal situação. Te banhei, te cuidei, te alimentei, te vesti, te mimei. Quando te deitei, longe de mim, pude te amar, já desacordado: beijei teus lábios semi-cerrados, frios como nossos últimos beijos. Me mediquei além da posologia prescrita, porque não queria conceber aquela situação inesperada. No outro dia, você já tinha ido e me deixado um bilhete: “Desculpa o incômodo e obrigado por tudo.” Me perguntei se você leria o que te deixei, dobrado e dentro do bolso da calça: “Te amar é como ser um monte de areia de frente para o mar; tu vens, me levas, me traz de volta, vais embora, me levas e me traz... E a ressaca é toda minha. Te recolhes e vê se não me leva mais. Te amo e não quero mais te amar.” Finalmente acordei desse devaneio vespertino, com o sol já anunciando sua partida. E percebi que você na minha vida é como um sonho, como esse que tive; Longe da aridez desperta da realidade, é lindo estar contigo. Mas no saltar dos olhos, você vai embora. Como se nunca tivesse estado ao meu lado.

20140912

Amar você é coisa de minutos…

Amar você é coisa de minutos 
A morte é menos que teu beijo 
Tão bom ser teu que sou 
Eu a teus pés derramado 
Pouco resta do que fui 
De ti depende ser bom ou ruim 
Serei o que achares conveniente 
Serei para ti mais que um cão 
Uma sombra que te aquece 
Um deus que não esquece 
Um servo que não diz não 
Morto teu pai serei teu irmão 
Direi os versos que quiseres 
Esquecerei todas as mulheres 
Serei tanto e tudo e todos 
Vais ter nojo de eu ser isso 
E estarei a teu serviço 
Enquanto durar meu corpo 
Enquanto me correr nas veias 
O rio vermelho que se inflama 
Ao ver teu rosto feito tocha 
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha 
Sim, eu estarei aqui

(Leminski)

20140909

Soninho

Às vezes me vem um soninho
que eu sei bem de onde.
Vem das memórias distantes
e também recentes.
Meu coração faz doomdoom
Porque me lembro de ti
dos olhos cheios de nãoseique.
Do tão duvidoso e misterioso
soninho, que quando me vinha
parecia sem direção. Não era meu.
Meu sono... Não mais meu...
Meu soninho, que é só memória.
Mas que ainda bate doomdoom
no meu coração e no meu soninho...
que é um remédio pra te esquecer,
Sono.

LUTO

Luto por um amor que nunca existiu
        por um carinho dado de malgrado
               um abraço sem ser apaixonado
               uma entrega violenta e descabida
Luto por uma luz que me mostre o norte
                                                  o sul
                                                     a sorte
                                                                 de nunca mais viver assim
                                                                 algo tão forte
                                                             pois amor assim, rebelde
                                                                 insistente, que já mofou
                                 é querer viver a morte.

20140522

Sobre a saudade

saudade é acordar sorrindo
inda de olhos cerrados
percebendo a vida ao redor
sem querer prestar contas
ao mundo e à cama vazia
de tão vãs as queixas vãs
das pessoas e das ruas.
saudade é amar o travesseiro
no instante do sonho febril
é o palpar do distante
é não querer acordar jamais.
a saudade do amor que late
é viver em amargo pranto.
saudade é acordar chorando.

20140513

Escrava

estou morta. cometo suicídio diário
grades de ferro imaginárias bloqueiam
inibem minha conexão com a vida
sem teto sem chão sem mãos, sem
sem nada onde eu possa aterrizar
presa no ar, no terror, no conflito
me aprisiono, me marco a ferro
brasa invisível tangível me abre
me deixa escaras que não fecham
trabalho em função da solidão
porque as ruas só têm ratos
bichos peçonhentos magoados
revoltosos por mesquinharias
sempre querendo o maior pedaço
quando a vida deveria dispor tudo
a todos, mas só regala a porcos
a morte me surge como alento
com a vida só aprendi desprezo
cometo suicídio diário. estou morta